19 de abr. de 2015

O ouro do tolo

Não sou de todo um tolo.
Amo o canto da sabiá,
O cheiro da terra,
O afago da brisa leve.

Não sou de todo um tolo.
Admiro o céu e as nuvens
O sorriso inocente da criança
O balançar do rabo do meu cachorro.

Não sou de todo um tolo.
Regozijo-me com o cheiro das flores,
Com o beijo singelo da donzela,
Com o sussurro ao pé do cangote.

Não sou de todo um tolo.
Estimo as melodias das canções,
O retrato de Van Gogh
E os versos de Camões.

Não sou de todo um tolo.
Gosto de amigos e boemia,
Da conversa ao pé do balcão
E da pinga com limão.

Não sou de todo um tolo.
Sou feito de carne e osso.
Se ser tolo é amar tudo isso,
Sim, então, sou de todo um tolo.


Neil Silveira – 16.04.2015

Nenhum comentário: