5 de jun. de 2014

Do (des)contentamento

O tempo, senhor dos destinos,
Brinca com almas em desatinos
Perturba bons sonhos
Caindo em pesadelos tristonhos.

A chaga maldita ainda contorce
O pobre corpo em disfarce.
Ouro de tolo ilumina ilusão, em vão.
Resta (eterna?) intensa escuridão.

Traços rabiscados no passado
Jazem em papel amassado.
História escrita em linhas tortas
Poema feito de palavras mortas.

Lágrimas permeiam a imensidão
Pulsa um coração, sem razão
Segue cego com tamanha tristeza
Semeando sentidos da incerteza.

O homem, outrora feliz, se fez poeta
Cantando mágoa de ferida aberta.
Trovas ecoam sua infinita dor
Aliviam a pobre alma do pavor.

A saga em busca amor foi inútil
Sobrou apenas um sentimento fútil.
Herança vazia, tesouro perdido
Virou inspiração do menestrel ferido.

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