28 de abr. de 2014

Estado de anomia da sociedade sobralense

Nos últimos dias, deparei-me com notícias sobre a existência, em Sobral, de um grupo que se organizou para fazer justiça com as próprias mãos.
Diante deste caos da violência, não sou a favor de que a população busque resolver, por conta própria, a solução deste problema. Porém, acredito que não se trata de organizar-se para fazer justiça com as próprias mãos. A legítima defesa, como o próprio nome diz, é legal e, portanto, agir para proteger a própria integridade e o próprio patrimônio, na medida da razoabilidade, é direito de todos os cidadãos. Apesar de a polícia tentar realizar o seu trabalho a contento, sob condições precárias, o avanço da violência é reflexo do desinteresse e da omissão do Estado em garantir recursos suficientes e investimentos na área da segurança, muitas vezes por conta da possibilidade de alguns daqueles que estão no poder encontrarem-se também à margem da criminalidade. Este problema crônico jamais poderá ser sanado com medidas paliativas como a construção de presídios ou aumento da força policial ou ainda, muito menos, com a colocação de luxuosas viaturas nas ruas (que, por sinal, em nossa cidade, a maioria delas encontra-se inoperante no pátio do batalhão da PM).
A problemática é estrutural. Investir em educação, combate às drogas e programas sociais é um dos caminhos a serem trilhados, além de uma grande reforma na legislação penal que, da forma que está, favorece ninguém menos do que a própria bandidagem. A condição em que nos encontramos, como diria o sociólogo Émile Durkheim, é de plena anomia, ou seja, vivemos em uma sociedade assolada pela desintegração das normas que regem a ordem social. Tudo passa a ser visto como permitido, já que “nada” é punido. O fato é que, como o Estado não consegue proteger os cidadãos e as normas são ineficazes, a revolta contra a impunidade e a insegurança tem despertado uma reação natural da população para agir em defesa própria. Mister se faz, sim, de um movimento consistente, mas que procure mudar efetivamente o cenário atual, em vez de, simplesmente partir para o “corpo a corpo”.

Não se trata também de “evoluir” para uma sociedade anarquista, mas sim de fazer valer o termo de “Estado Democrático de Direito” aplicado ao nosso país, garantindo o respeito às liberdades civis e o respeito pelas garantias fundamentais dos cidadãos, que, entre as quais, está o direito à segurança e à vida digna.

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